A fórmula do sucesso, resultante de uma combinação de tecnologia de ponta, carteira de serviços diversificada e intercâmbio de conhecimento em nível mundial, tornou a DNV uma das principais parceiras da Sevan, agregando valor não só pela qualidade, mas pela gama de serviços oferecidos em um único projeto. O escopo de trabalho abrangeu itens como classificação, verificação, gerenciamento de risco e consultoria no projeto do sistema de ancoragem.
“Prover serviços integrados baseando-se em soluções tecnológicas é uma filosofia da DNV, e isso faz com que estejamos em constante aliança com empresas inovadoras e à frente de projetos de engenharia mais sofisticados”, disse Lincoln Mojon, gerente do departamento Offshore Technology. No trabalho com a Sevan, ele acrescenta que, além do enfoque tecnológico, outro aspecto também contou. “A DNV tem a cultura de investir na capacitação técnica de seus profissionais, na captação e retenção de talentos. No Brasil, isso também acontece em todas as áreas, possibilitando à empresa dispor de um centro de competência local multidisciplinar, o que hoje é bastante valorizado pelo mercado.”
Clovis Antônio Lopes, diretor da Sevan, aprova o fato de a DNV não estar limitada. “A extensão da parceria, que culminou com a contratação de serviços diversificados, foi muito importante. A liderança da DNV é naturalmente percebida pelo mercado pela qualidade do seu corpo técnico, experiência e potencial tecnológico, e tais características só agregam valor ao nosso produto.”
Celso Raposo, engenheiro que atuou como gerente do projeto do sistema de ancoragem, destaca que em um segmento altamente competitivo as empresas que possuem um portfólio de serviços variado apresentam um importante diferencial. “No mercado atual, especialmente na indústria de Óleo e Gás, é preciso se estabelecer como um provedor global de tecnologia, uma vez que o cliente está sempre em busca de fornecedores que possam agregar valor em toda a cadeia.”
O trabalho inicial foi realizado pela DNV Noruega, que se encarregou da parte de Classe durante a fase de projeto. O acompanhamento da fase de construção da plataforma no estaleiro chinês Yantai Raffles ficou a cargo do escritório da DNV na China. No Brasil, o envolvimento aconteceu a partir dos departamentos Offshore Technology e DNV Energy Solutions que, respectivamente, ficaram responsáveis pelo desenvolvimento dos projetos de ancoragem e gerenciamento de risco da unidade. Quando a plataforma começar a produzir, o departamento Offshore Class (In Service) iniciará a manutenção de Classe.
DNV inova em modelo de ancoragem – Assim como o formato arredondado do casco, o sistema de ancoragem é outro item pioneiro presente na SSP Piranema. O projeto, de responsabilidade do Offshore Technology Department, é do tipo spread mooring, composto de nove pernas reunidas em três conjuntos, com grau de inclinação de 45º a 50º. O sistema do tipo taut leg (esticado) utiliza cabos de poliéster, permitindo maior eficiência durante as operações em lâminas d’água entre 1.100 e 1.600 metros. É a primeira vez que esse tipo de sistema será utilizado no Brasil fora da Bacia de Campos. O trabalho ainda abrangeu a análise acoplada de ancoragem com risers e o navio aliviador, análise dos risers e elaboração da Matriz de Responsabilidades da unidade, ou seja, um levantamento de que tipo de atividade impacta na Classe e, se houver impacto, qual o envolvimento da DNV em cada atividade.
Pioneirismo quebra paradigma – “Desde o primórdio da exploração de petróleo offshore no Brasil, em que as primeiras plataformas de concreto foram instaladas no Nordeste, a DNV exerce influência pela sua contribuição no campo da tecnologia”, afirma Eduardo Mezzalira, gerente do Offshore Class Department e responsável pelo contrato de manutenção de Classe da unidade em águas brasileiras. Para ele, o fato de a DNV ter sido escolhida como a Sociedade Classificadora da SSP Piranema é mais do que um marco, é a derrubada de um paradigma. “Apesar da larga experiência da DNV com FPSOs no mundo inteiro, no Brasil ainda existia um velho estigma, quebrado duplamente agora, com a classificação de um conceito pioneiro de embarcação”, comemora.
Estudos integrados estimularam a troca de conhecimento – A análise de risco da plataforma SSP Piranema, mais um serviço desenvolvido pela DNV, envolveu a participação da equipe da DNV em Aberdeen para a análise quantitativa de risco e da equipe da DNV Energy Solutions, no Brasil, para a elaboração dos estudos de explosão de gás, dispersão de gases para alocação de detectores, dispersão do flare e dos vents, bem como o estudo de incêndio, cuja análise de colapso foi realizada em conjunto com o Offshore Technology Department. O modelo geométrico tridimensional da plataforma serviu como base para a realização dos estudos, que utilizaram o estado da arte na Fluidodinâmica Computacional: os programas FLACS, KAMELEON, FAHTS e USFOS. “A abordagem probabilística, levada em conta com o programa EXPRESS utilizado em nossos estudos, é o nosso diferencial no mercado, tanto nacional quanto internacional”, informa Gladys Nalvarte, consultora sênior e gerente do projeto da DNV Energy Solutions. No que se refere às peculiaridades do trabalho, ela destaca, principalmente, o formato cilíndrico – que levou à elaboração de uma malha computacional mais refinada para a análise de algumas áreas específicas da plataforma – e a interação com o escritório da DNV em Aberdeen, já que os estudos realizados no Brasil constituíram parte da análise entregue à Sevan.
Saiba mais a respeito da SSP Piranema
O novo conceito tecnológico de FPSO da Sevan Marine, a SSP Piranema, chega ao Brasil no final de outubro, para operar no campo homônimo para a Petrobras. A plataforma inaugura o sistema de produção, localizado na Bacia de Sergipe, Alagoas, onde produzirá óleo do tipo leve. A SSP Piranema, que corresponde ao modelo SSP-300, tem capacidade de produção equivalente a 30 mil barris de petróleo por dia e capacidade de armazenamento de 300 mil barris de petróleo.
Embora projetada para trabalhar em todos os ambientes marítimos, no Brasil a nova unidade opera em lâmina d’água entre 1.100 e 1.600 metros. O formato cilíndrico oferece significativa redução do movimento da estrutura em decorrência das ações do mar e do vento, o que é favorável aos processos de recebimento e tratamento do óleo a bordo. Menos sujeita a impactos, a plataforma apresenta, conseqüentemente, maior estabilidade.
Outro benefício da SSP Piranema é o fato de ela ter sido concebida como uma opção bastante econômica para a indústria de óleo e gás. Devido à estrutura simétrica da plataforma, o processo de construção se torna mais simples, rápido e barato, se comparado com a opção convencional, que é a conversão de um navio petroleiro em FPSO. Em termos operacionais, a SSP Piranema também é economicamente viável, sendo bastante apropriada para operar em reservas menores, com pequenas acumulações de óleo, em águas rasas e profundas.
* A sigla SSP significa Sevan Stabilized Platform.