Armazenamento em larga escala: como o leilão de BESS pode transformar o sistema elétrico brasileiro
O primeiro leilão brasileiro dedicado a sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS) pode acelerar a transição energética, reduzir riscos operacionais e viabilizar a expansão segura das energias renováveis no país.
O Brasil está se preparando para realizar seu primeiro leilão dedicado a sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS, na sigla em inglês), um movimento que pode acelerar a transição energética do país e estabelecer uma referência para a América Latina.
Principais destaques
- 63% da eletricidade da América Latina já é gerada por fontes renováveis, com projeções que apontam para quase 99% de energia livre de carbono até 2060, segundo o Energy Transition Outlook 2025 (ETO 2025).
- Os sistemas BESS podem ajudar a enfrentar desafios como congestionamentos na rede, cortes de geração (curtailment) e segurança de suprimento à medida que a participação da energia solar e eólica aumenta.
- O leilão brasileiro pode impulsionar investimentos em larga escala e estimular o desenvolvimento de uma cadeia de valor nacional para BESS.
- Países líderes na região, como Chile e México, já estão integrando sistemas BESS por meio de políticas públicas e mecanismos de mercado, demonstrando o papel estratégico da tecnologia.
- Especialistas da DNV destacam que a integração eficaz de sistemas BESS exige regulamentação robusta, diligência técnica adequada e profundo entendimento das necessidades do sistema elétrico.
Por que o leilão brasileiro é tão relevante?
O Brasil possui uma das maiores matrizes elétricas renováveis do mundo e vive um rápido crescimento da geração solar distribuída e centralizada. A introdução de mecanismos competitivos para contratação de armazenamento de energia pode fornecer os sinais econômicos necessários para destravar investimentos em larga escala e ampliar a participação dos sistemas BESS no setor.
A expectativa do setor é que a contratação de armazenamento fortaleça o desenvolvimento da cadeia de valor de BESS no país, atraindo investidores, fabricantes e desenvolvedores.
Um contexto regional que reforça a necessidade de armazenamento
O debate sobre armazenamento ocorre em um momento estratégico para a região. A América Latina reúne condições particularmente favoráveis para o desenvolvimento de projetos BESS:
- Alta penetração de renováveis: atualmente, mais de 60% da geração elétrica na América Latina é proveniente de fontes renováveis, superando a média global.
- Recursos minerais estratégicos: a região concentra cerca de 60% das reservas mundiais de lítio e 40% do cobre, insumos críticos para baterias, reforçando seu papel na cadeia global de armazenamento de energia.
- Crescentes riscos climáticos: secas, tempestades e inundações já impactam setores como a mineração e a geração hidrelétrica.
A combinação desses fatores posiciona o armazenamento como infraestrutura estratégica para a operação e a evolução dos sistemas elétricos da região.
Tendências regionais: como outros países da América Latina estão avançando?
O movimento brasileiro acompanha uma tendência observada em outros países da região.
| País | Estratégia de armazenamento |
|---|---|
| Chile | Metas indicativas de armazenamento de 2 GW até 2030 e 6 GW até 2050; BESS integrado a projetos solares |
| México | Empreendimentos renováveis devem contar com pelo menos 30% de capacidade de armazenamento |
| Peru | Integrando sistemas BESS por meio de configurações híbridas e requisitos de inércia sintética |
| Argentina | Licitações com expansão contínua de capacidade |
Esses exemplos demonstram que o armazenamento está se tornando infraestrutura estratégica dos sistemas elétricos modernos, e não apenas uma tecnologia complementar.
Como os sistemas BESS apoiam as metas da transição energética brasileira
De acordo com o ETO 2025, a geração de eletricidade na América Latina passará a ser 80% renovável até 2040 e 99% até 2060, a flexibilidade operacional será cada vez mais importante.
Os sistemas BESS podem:
- Contribuir para a estabilidade e confiabilidade do sistema por meio da regulação de frequência, controle de tensão e, quando aplicável, fornecimento de inércia sintética.
- Reduzir congestionamentos na rede e otimizar investimentos em infraestrutura.
- Minimizar o curtailment ao deslocar excedentes de geração solar para os períodos de maior demanda.
- Aumentar a resiliência do sistema, aumentando a capacidade de resposta a eventos climáticos extremos, como os associados com uma maior variabilidade hidrológica.
Como destaca Tobias Alvarenga, Market Area Manager LATAM - Energy Systems da DNV:
“O verdadeiro valor do armazenamento não está apenas na capacidade de armazenar energia, mas em tornar o sistema elétrico mais flexível, resiliente e preparado para uma matriz com participação crescente de fontes renováveis. O leilão é um passo importante nessa direção para o Brasil.”
Navegando pela transformação: o papel da expertise independente
A adoção de sistemas BESS envolve decisões técnicas e econômicas complexas, desde a seleção da tecnologia e definição de critérios de segurança até a integração à rede e a conformidade regulatória.
À medida que o Brasil avança rumo à contratação de armazenamento em larga escala, avaliações independentes serão fundamentais para compreender riscos, desempenho esperado e oportunidades de desenvolvimento de projetos.
Como consultora técnica independente para o setor de energia, a DNV apoia fabricantes, concessionárias, desenvolvedores, investidores, comunidades e autoridades públicas na avaliação de riscos, desempenho e oportunidades relacionados à implantação de sistemas de armazenamento, por meio de:
- Estudos de viabilidade técnica e econômica, incluindo bankability;
- Análises de risco, incluindo segurança cibernética;
- Modelagem de integração à rede, incluindo análises de estabilidade e desempenho em condições extremas;
- Engenharia e technical due diligence para projetos BESS isolados ou híbridos (solar/ eólica + armazenamento);
- Apoio regulatório e análise de estruturas de mercado;
- Suporte em processos de contratação, revisão de engenharia, qualificação de tecnologia, acompanhamento da construção e comissionamento.
Thiago Coriolano, Market Area Manager Brazil - Energy Systems da DNV, complementa:
“A integração de BESS exige expertise técnica, regulamentação robusta e conhecimento do sistema elétrico. No Brasil e em toda a América Latina, esses fatores serão decisivos para sustentar o crescimento das energias renováveis e garantir redes mais resilientes.”
Perspectivas para o futuro
À medida que o mercado evolui, decisões relacionadas à tecnologia, desempenho, segurança, integração à rede e viabilidade econômica serão determinantes para o sucesso dos projetos.
Além de viabilizar uma maior integração das fontes renováveis, os sistemas de armazenamento (BESS) tendem a desempenhar um papel cada vez mais relevante na conexão de novas cargas intensivas em energia. A expansão de data centres, a eletrificação de processos industriais de difícil abatimento (hard-to-abate) e o desenvolvimento da cadeia do hidrogênio de baixo carbono exigirão sistemas elétricos mais flexíveis, resilientes e capazes de acomodar variações significativas tanto na oferta quanto na demanda.
A combinação entre experiência global e presença local posiciona a DNV como uma parceira confiável para esta nova etapa da evolução energética do Brasil e da América Latina. Quer saber como podemos apoiar o seu projeto? Entre em contato com a nossa equipe.