Mês da Conscientização sobre Cibersegurança: fortalecendo a resiliência em diferentes setores
Em conversas com organizações de diferentes setores, desde fornecedores da indústria automotiva até produtores de alimentos, um tema aparece de forma consistente: a resiliência cibernética está se tornando tão importante para o desempenho dos negócios quanto a segurança operacional.
Neste Mês da Conscientização sobre Cibersegurança, meu foco está em como as organizações podem fortalecer sua resiliência contra ransomware, ataques à cadeia de suprimentos, vulnerabilidades em tecnologias conectadas e riscos emergentes relacionados à inteligência artificial, que podem interromper operações e comprometer a confiança.
Um incidente de cibersegurança pode interromper a produção e expor informações confidenciais. Seus impactos podem se estender às entregas aos clientes, às cadeias de suprimentos e à confiança das partes interessadas. Serviços em nuvem e equipamentos conectados tornam esses riscos cada vez mais interligados. O acesso remoto e a inteligência artificial acrescentam outras considerações.
A inteligência artificial também está se tornando parte das operações cotidianas das empresas. As organizações utilizam IA para analisar informações, automatizar atividades e apoiar decisões. Essas aplicações podem gerar valor para o negócio. Ao mesmo tempo, as organizações devem compreender onde a IA está sendo utilizada, quais informações ela processa e quem é responsável por supervisionar seu uso.
O Mês da Conscientização sobre Cibersegurança é uma oportunidade para dar um passo atrás e fazer uma pergunta importante:
Estamos gerenciando a cibersegurança como uma questão técnica ou como um risco para o negócio?
A tecnologia é uma parte importante da cibersegurança, mas, sozinha, não é suficiente. Uma cibersegurança eficaz também depende de colaboradores bem-informados e responsabilidades claramente definidas. Processos confiáveis, supervisão de fornecedores e planos de resposta a interrupções são igualmente importantes.
Os riscos específicos variam de acordo com o setor. Um fornecedor automotivo pode estar preocupado com a proteção de informações sobre protótipos. Um fabricante de alimentos pode estar mais focado em manter a produção. Uma organização aeroespacial pode precisar proteger dados técnicos sensíveis em uma extensa rede de fornecedores.
Compreender esse contexto de negócios é um primeiro passo importante para desenvolver uma resiliência cibernética efetiva.
A cibersegurança começa com a conscientização
Muitos incidentes cibernéticos começam com atividades comuns do dia a dia. Um colaborador pode receber um e-mail convincente solicitando uma ação urgente. As credenciais de um fornecedor podem ser comprometidas. Uma organização pode continuar utilizando equipamentos sem suporte porque substituí-los afetaria a produção.
O risco também pode surgir quando uma nova aplicação é introduzida sem uma análise adequada. A organização pode não ter considerado plenamente como as informações serão acessadas, armazenadas ou compartilhadas.
A IA acrescenta outra consideração. Ela pode tornar e-mails fraudulentos e tentativas de falsificação de identidade mais convincentes. O uso inadequado de ferramentas de IA também pode expor informações confidenciais ou sensíveis.
Os colaboradores devem saber quais ferramentas de IA são aprovadas e quais informações podem ser inseridas nelas. Também devem compreender quando um resultado gerado por IA precisa ser verificado.
Os colaboradores não precisam se tornar especialistas em cibersegurança ou IA, mas devem entender:
- Como reconhecer e reportar solicitações suspeitas
- Por que a proteção adequada das contas e a autenticação multifator são importantes
- Como suas decisões podem afetar a segurança da organização
- Onde informações sensíveis são armazenadas e compartilhadas
- Quais ferramentas de IA são aprovadas e como podem ser utilizadas
- O que fazer quando algo incomum acontece
- Por que os procedimentos de cibersegurança se aplicam às suas funções
Práticas fundamentais continuam sendo essenciais. Os colaboradores devem saber como reconhecer tentativas de phishing e utilizar senhas fortes. As organizações também devem habilitar a autenticação multifator e manter os softwares atualizados.
Essas medidas preventivas precisam ser apoiadas por planos para lidar com interrupções. As organizações devem manter backups, preparar planos de resposta a incidentes e estar prontas para restaurar sistemas importantes.
Essas ações proporcionam uma base importante. A partir daí, cada organização deve considerar como a cibersegurança se conecta às suas operações e aos seus objetivos de negócio. As expectativas dos clientes e os relacionamentos com fornecedores também devem fazer parte dessa discussão.
Automotivo: protegendo informações em uma cadeia de suprimentos conectada
A indústria automotiva depende da troca contínua de informações em uma ampla rede de negócios. Fabricantes e fornecedores compartilham informações com empresas de engenharia, empresas de tecnologia e outros prestadores de serviços.
Essas informações podem incluir protótipos, projetos de produtos e resultados de testes. Dados de produção e informações de clientes também precisam ser protegidos, assim como os planos relacionados a tecnologias futuras.
À medida que veículos e fábricas se tornam mais conectados, as organizações precisam proteger essas informações e, ao mesmo tempo, atender às crescentes expectativas dos clientes. Uma vulnerabilidade em um fornecedor pode gerar consequências em outras partes do ecossistema automotivo.
As organizações do setor automotivo devem considerar questões como:
- Até que ponto protótipos, projetos, informações de clientes e outros dados sensíveis estão protegidos?
- Um incidente cibernético na organização ou em um fornecedor poderia interromper a produção ou atrasar entregas?
- As expectativas de cibersegurança são compreendidas e aplicadas de forma consistente em toda a cadeia de suprimentos?
- Como são gerenciados o acesso, a conectividade remota, os equipamentos conectados e as dependências de software?
- A organização consegue demonstrar práticas eficazes de segurança da informação aos clientes?
Ransomware ou o comprometimento do acesso de fornecedores podem afetar a produção e as entregas. A perda de sistemas críticos também pode expor propriedade intelectual e comprometer a confiança dos clientes.
A IA é utilizada cada vez mais em áreas como engenharia e inspeção de qualidade. Também pode apoiar a manufatura e a manutenção preditiva. As organizações que adotam essas aplicações devem estabelecer responsabilidades claras e uma supervisão adequada.
A ISO/IEC 27001 fornece uma estrutura abrangente para a gestão dos riscos de segurança da informação. O TISAX® se baseia em elementos importantes da ISO/IEC 27001 e aborda as expectativas de segurança da informação específicas do ecossistema automotivo.
Juntas, essas abordagens podem ajudar as organizações a estabelecer práticas de segurança consistentes e replicáveis e responder aos requisitos dos clientes. Também podem contribuir para fortalecer a confiança em toda a cadeia de suprimentos.
Alimentos e bebidas: conectando cibersegurança e continuidade dos negócios
As organizações do setor de alimentos e bebidas dependem cada vez mais de sistemas conectados de produção e monitoramento. Suas operações também utilizam plataformas de qualidade e tecnologias de armazenamento. Prestadores de serviços logísticos e ferramentas digitais de rastreabilidade acrescentam outras conexões.
As informações circulam entre o chão de fábrica e os sistemas corporativos e também podem ser compartilhadas com prestadores de serviços externos.
Essa conectividade melhora a eficiência e proporciona maior visibilidade das operações. No entanto, também pode permitir que um incidente cibernético afete a produção e a qualidade. As consequências podem se estender à distribuição e ao atendimento dos clientes.
Por isso, nesse setor, a cibersegurança está diretamente relacionada à resiliência operacional.
As empresas de alimentos e bebidas devem considerar questões como:
- Um incidente cibernético poderia interromper a produção, o armazenamento ou a distribuição?
- Sistemas mais antigos, equipamentos conectados e acesso remoto de fornecedores estão adequadamente protegidos?
- Informações críticas sobre qualidade, rastreabilidade, higienização e condições ambientais podem ser recuperadas?
- Por quanto tempo as operações poderiam continuar se uma planta, sistema, fornecedor ou provedor de tecnologia ficasse indisponível?
- Os planos de resposta a incidentes cibernéticos e de continuidade dos negócios estão coordenados e são testados?
Uma interrupção pode afetar a disponibilidade dos produtos e os compromissos com clientes. Também pode colocar estoques perecíveis em risco. Se várias instalações dependerem da mesma tecnologia ou do mesmo prestador de serviços, a recuperação pode se tornar mais complexa.
A IA pode apoiar atividades como previsão e planejamento da produção. Também pode ser utilizada em inspeção de qualidade ou logística. Quando a IA influencia uma decisão operacional importante, seus resultados devem passar por uma análise adequada.
A ISO/IEC 27001 ajuda as organizações a gerenciar os riscos de segurança da informação de forma estruturada. A ISO 22301 ajuda a identificar atividades críticas e a preparar-se para interrupções. Também apoia a continuidade e a recuperação de operações críticas.
Utilizadas em conjunto, essas normas podem apoiar tanto a proteção das informações quanto a continuidade dos negócios.
Aeroespacial: protegendo informações sensíveis e a confiança dos clientes
Organizações do setor aeroespacial compartilham informações sensíveis ao longo de extensas cadeias de suprimentos. Essas redes podem incluir fabricantes e empresas de engenharia. Prestadores de serviços de manutenção e parceiros especializados em tecnologia também podem ter acesso a informações ou sistemas importantes.
As informações compartilhadas podem incluir projetos de produtos e especificações técnicas. Resultados de testes, instruções de fabricação e comunicações relacionadas a programas também podem exigir proteção.
Proteger essas informações exige mais do que controles dentro de uma única organização. As expectativas de cibersegurança frequentemente precisam se estender aos fornecedores e subcontratados que apoiam operações essenciais.
Entre as preocupações mais comuns estão:
- Onde as informações sensíveis são armazenadas e quem pode acessá-las?
- Fornecedores e subcontratados aplicam práticas consistentes de segurança da informação?
- Um incidente cibernético poderia interromper atividades de engenharia, produção, manutenção ou entregas aos clientes?
- Como são gerenciados sistemas mais antigos, equipamentos conectados, acesso remoto e dependências tecnológicas?
- A organização consegue demonstrar o atendimento aos requisitos de cibersegurança de clientes, contratos e outros requisitos relevantes?
A cibersegurança na cadeia de suprimentos continua sendo uma preocupação importante, pois um incidente que afete um fornecedor pode gerar consequências para várias organizações.
Fornecedores menores podem lidar com informações sensíveis mesmo dispondo de menos recursos de cibersegurança. Ao mesmo tempo, organizações maiores podem ter visibilidade limitada sobre como os riscos são gerenciados em uma extensa rede de fornecedores.
Por isso, as organizações precisam entender quais fornecedores e prestadores de tecnologia são mais críticos. Também devem considerar como as atividades essenciais continuariam se um desses fornecedores sofresse uma interrupção.
A IA pode ser utilizada em engenharia ou manutenção. Também pode apoiar atividades de inspeção e planejamento. Quando um sistema de IA contribui para uma decisão importante, a responsabilidade pela análise de seu uso e de seus resultados deve estar claramente definida.
A ISO/IEC 27001 pode fornecer uma estrutura consistente para identificar riscos e proteger informações sensíveis. Também pode apoiar a gestão de fornecedores e a definição de responsabilidades relacionadas à segurança.
Uma abordagem estruturada ajuda a organização a manter e aprimorar suas práticas de segurança da informação. Também pode proporcionar aos clientes maior confiança na forma como as informações sensíveis são gerenciadas.
Manufatura: gerenciando a cibersegurança onde os sistemas digitais encontram as operações
Os fabricantes dependem cada vez mais de equipamentos conectados e sistemas digitais. Plataformas em nuvem e automação apoiam atualmente muitas atividades de produção. A análise de dados e a IA também estão se tornando mais comuns.
Essas tecnologias podem aumentar a produtividade e proporcionar melhores informações sobre as operações. Também criam conexões mais estreitas entre os sistemas corporativos e os equipamentos utilizados na produção.
Nesse ambiente, a cibersegurança não envolve apenas a proteção de dados. Também significa manter a disponibilidade e a confiabilidade de sistemas e equipamentos importantes.
Os fabricantes devem considerar questões como:
- Quais sistemas, equipamentos e serviços digitais são mais críticos para a produção?
- O acesso não autorizado ou um ataque de ransomware poderia interromper as operações?
- Como são gerenciados sistemas mais antigos, equipamentos conectados e o acesso remoto de terceiros?
- Os processos essenciais podem continuar de forma segura enquanto os sistemas afetados são restaurados?
- As responsabilidades e prioridades de recuperação estão claras entre TI, engenharia, operações, manutenção e qualidade?
Um incidente de cibersegurança pode expor informações ou interromper a produção. Os impactos podem incluir atrasos nos pedidos dos clientes e problemas de qualidade. Também podem surgir questões de segurança e interrupções operacionais mais amplas.
Gerenciar esses riscos pode ser particularmente desafiador quando equipamentos mais antigos não podem ser facilmente atualizados. A substituição pode ser difícil caso exija a interrupção da produção.
O acesso remoto cria outra possível fonte de exposição. Fornecedores de equipamentos e outros terceiros podem precisar acessar sistemas de produção, mas esse acesso deve ser cuidadosamente gerenciado.
As atividades apoiadas por IA também devem ter responsabilidades claramente definidas e supervisão humana adequada. Exemplos incluem manutenção preditiva e inspeção visual. A IA também pode apoiar o planejamento da produção ou a otimização de processos.
As organizações devem compreender como resultados importantes apoiados por IA são analisados. Também devem saber como as operações continuariam caso a tecnologia se tornasse indisponível ou apresentasse um comportamento inesperado.
O planejamento de cibersegurança deve envolver funções operacionais e de negócios, além da área de TI. As equipes de operações e engenharia podem ajudar a identificar dependências críticas. As áreas de manutenção, qualidade e liderança das unidades podem explicar as consequências práticas de uma interrupção.
A ISO/IEC 27001 pode ajudar os fabricantes a estabelecer uma abordagem estruturada para a segurança da informação. Essa abordagem pode abranger tanto os sistemas corporativos quanto os ambientes de produção. Também pode incluir pessoas e fornecedores.
A ISO 22301 complementa essa abordagem, ajudando as organizações a identificar operações e dependências críticas. Ela apoia a preparação para interrupções e a recuperação controlada da produção.
Quando a IA é utilizada em atividades operacionais, a ISO/IEC 42001 pode fornecer uma estrutura adicional. Ela pode apoiar a definição clara de responsabilidades, a gestão de riscos e uma análise adequada.
As preocupações com a cibersegurança se estendem a todos os setores
Embora as consequências variem de acordo com o setor, muitas organizações estão fazendo perguntas semelhantes:
- Compreendemos quais informações, sistemas, serviços e fornecedores são mais críticos para o negócio?
- As responsabilidades relacionadas à cibersegurança estão claramente atribuídas e compreendidas em toda a organização?
- Os colaboradores sabem como proteger informações sensíveis, reportar atividades suspeitas e utilizar ferramentas de IA aprovadas de forma responsável?
- As operações essenciais podem continuar caso um sistema crítico, fornecedor ou serviço de tecnologia fique indisponível?
- Podemos demonstrar aos clientes e às partes interessadas que os controles de cibersegurança são implementados de forma consistente e continuamente aprimorados?
Essas questões se aplicam a muitos setores. São relevantes para organizações de energia e saúde, assim como para tecnologia e transporte. Organizações de serviços profissionais enfrentam muitas das mesmas considerações.
A resposta adequada dependerá dos riscos e das obrigações da organização. Seu ambiente operacional e seu nível atual de maturidade também influenciarão suas prioridades.
A cibersegurança não deve ser tratada separadamente do restante do negócio. Ela afeta a forma como as organizações gerenciam fornecedores e capacitam colaboradores. Também influencia como adotam tecnologias, protegem clientes, mantêm as operações e constroem confiança.
Transformando conscientização em ação prática
O Mês da Conscientização sobre Cibersegurança pode ajudar as organizações a iniciar uma conversa, mas a conscientização deve levar à ação.
As organizações podem aproveitar o mês para se concentrar em algumas prioridades práticas.
1. Tornar a cibersegurança relevante para cada função
A conscientização geral é útil, mas os colaboradores têm maior probabilidade de agir quando entendem como a cibersegurança se relaciona com seu trabalho.
A capacitação deve refletir as situações que os colaboradores provavelmente encontrarão. As necessidades das equipes de produção e engenharia podem ser diferentes das de vendas ou compras. Profissionais de qualidade e a alta liderança podem enfrentar decisões diferentes.
Os colaboradores que utilizam ferramentas de IA devem saber quais ferramentas são aprovadas. Também devem compreender quais informações não devem ser inseridas e quando os resultados precisam de verificação adicional.
2. Identificar informações e operações críticas
As organizações devem identificar as informações e os sistemas mais importantes. Também devem compreender quais serviços e processos operacionais são essenciais.
Isso ajuda a direcionar os esforços de cibersegurança e continuidade para as áreas em que uma interrupção teria maior impacto no negócio.
3. Analisar as dependências de fornecedores e de tecnologia
Fornecedores podem armazenar informações ou acessar sistemas importantes. Também podem prestar suporte a equipamentos ou fornecer serviços digitais essenciais.
Isso torna importante saber quais fornecedores são críticos. As organizações devem considerar o que aconteceria caso um deles sofresse um incidente cibernético ou uma interrupção de serviço.
4. Testar os planos de resposta a incidentes e continuidade
Um plano documentado é valioso, mas um exercício pode revelar se as responsabilidades são realmente compreendidas. Também pode testar se as premissas da organização são realistas.
Os exercícios devem avaliar como as equipes se comunicam e tomam decisões. Também devem abordar soluções temporárias, compromissos com clientes e prioridades de recuperação.
5. Incorporar a segurança às decisões de negócio
A cibersegurança deve ser considerada na seleção de fornecedores e na introdução de novos sistemas. Também deve fazer parte das decisões relacionadas a equipamentos conectados, mudanças de processos e adoção de IA.
Antes de implementar uma aplicação de IA, a organização deve compreender sua finalidade e quais informações ela processará. A responsabilidade e o nível adequado de supervisão também devem ser definidos.
Considerar essas questões desde o início pode reduzir a probabilidade de surgirem problemas posteriormente. Esses problemas podem envolver segurança e privacidade, bem como a governança mais ampla da tecnologia.
6. Criar uma abordagem de gestão consistente
As atividades de cibersegurança podem se tornar fragmentadas. Podem ser administradas por meio de projetos técnicos separados ou introduzidas em resposta a solicitações individuais de clientes. Em outros casos, podem depender dos esforços de equipes específicas.
Uma abordagem baseada em sistemas de gestão pode integrar essas atividades. Ela pode conectar riscos e responsabilidades aos controles apropriados, além de apoiar capacitação, monitoramento e melhoria contínua.
O mesmo princípio se aplica à IA. Uma governança clara pode ajudar a evitar que diferentes equipes introduzam ferramentas sem expectativas ou supervisão comuns. Essa governança deve ser proporcional à forma como a tecnologia é utilizada e aos riscos envolvidos.
Construindo confiança por meio de uma abordagem estruturada
Os sistemas de gestão podem ajudar as organizações a passar de atividades isoladas de cibersegurança para uma abordagem consistente. Eles oferecem uma estrutura para gerenciar riscos e atribuir responsabilidades. Também apoiam controles eficazes, a competência dos colaboradores, o monitoramento do desempenho e a melhoria contínua.
A ISO/IEC 27001 é a norma internacional para sistemas de gestão de segurança da informação. Ela fornece uma estrutura baseada em riscos para proteger informações envolvendo pessoas e processos. Também aborda a tecnologia utilizada para criar, armazenar e compartilhar essas informações.
A norma pode ajudar as organizações a esclarecer responsabilidades e gerenciar riscos de segurança. Também pode apoiar as expectativas dos clientes e os requisitos contratuais. Sua estrutura de sistema de gestão incentiva as organizações a monitorar e melhorar continuamente suas práticas de segurança da informação.
A ISO/IEC 42001 é a norma internacional de sistema de gestão para inteligência artificial. Ela ajuda as organizações a gerenciar a IA de forma estruturada.
A norma apoia a definição de responsabilidades e a avaliação dos riscos relacionados à IA. Também aborda a supervisão adequada e o monitoramento do desempenho da IA. A ISO/IEC 42001 complementa a ISO/IEC 27001 ao se concentrar na governança mais ampla da IA, e não apenas na segurança das informações e da tecnologia envolvidas.
O TISAX®, ou Trusted Information Security Assessment Exchange, é um mecanismo de avaliação e intercâmbio desenvolvido para a indústria automotiva. Ele se baseia em elementos importantes da ISO/IEC 27001 e se concentra nas informações compartilhadas no ecossistema automotivo.
Essas informações podem incluir protótipos e informações de projetos. Dados de processos e informações pessoais também fazem parte de seu escopo. Para muitos fornecedores automotivos, o TISAX oferece uma forma reconhecida de demonstrar maturidade em segurança da informação e responder aos requisitos dos clientes.
A ISO 22301 é a norma internacional para sistemas de gestão de continuidade de negócios. Ela ajuda as organizações a identificar atividades críticas e os recursos dos quais essas atividades dependem.
A norma apoia a preparação para interrupções e a continuidade das operações críticas. Também ajuda as organizações a planejar uma recuperação controlada. No contexto da cibersegurança, isso conecta a resposta técnica a incidentes às decisões mais amplas de negócio necessárias para continuar atendendo aos clientes.
Essas normas e estruturas abordam necessidades distintas, mas relacionadas. A ISO/IEC 27001 se concentra na segurança da informação, enquanto a ISO/IEC 42001 apoia a governança responsável da IA. O TISAX aborda expectativas de segurança da informação no setor automotivo, e a ISO 22301 apoia a continuidade dos negócios.
Elas não eliminam os riscos. No entanto, podem ajudar as organizações a estabelecer uma abordagem disciplinada e replicável para a resiliência. Também apoiam a melhoria contínua à medida que os riscos e as necessidades do negócio evoluem.
A capacitação pode ajudar os colaboradores a compreender suas responsabilidades e desenvolver as competências necessárias. Avaliações podem identificar lacunas, enquanto a certificação independente pode proporcionar aos clientes e a outras partes interessadas maior confiança na forma como os riscos são gerenciados.
As perguntas a seguir resumem algumas das principais considerações para organizações que buscam fortalecer a conscientização sobre cibersegurança e sua resiliência.
Perguntas frequentes
O que é o Mês da Conscientização sobre Cibersegurança?
O Mês da Conscientização sobre Cibersegurança é uma oportunidade para as organizações reforçarem a conscientização, esclarecerem responsabilidades e conectarem a cibersegurança às decisões cotidianas de negócio. Pode ajudar a envolver diferentes funções nessa discussão e incentivar os colaboradores a compreender como suas ações afetam a segurança e a resiliência.
Por que a cibersegurança é importante para os fabricantes?
Os fabricantes dependem de equipamentos conectados, sistemas digitais, plataformas em nuvem, automação e acesso de terceiros. Um incidente cibernético pode expor informações, interromper a produção, atrasar pedidos de clientes e afetar a qualidade, a segurança e a continuidade operacional.
Como a ISO/IEC 27001 ajuda as organizações a gerenciar riscos de cibersegurança?
A ISO/IEC 27001 fornece uma estrutura baseada em riscos para um sistema de gestão de segurança da informação. Ela ajuda as organizações a atribuir responsabilidades, gerenciar riscos de segurança da informação envolvendo pessoas, processos e tecnologia, monitorar o desempenho e melhorar continuamente suas práticas de segurança.
O que é TISAX e quem pode precisar dele?
O TISAX é um mecanismo de avaliação e intercâmbio desenvolvido para a indústria automotiva. Ele se concentra nas informações compartilhadas no ecossistema automotivo e pode ajudar fornecedores da indústria a demonstrar maturidade em segurança da informação e responder aos requisitos dos clientes.
Como a cibersegurança apoia a continuidade dos negócios?
A cibersegurança e a continuidade dos negócios estão conectadas porque um incidente cibernético pode interromper sistemas, fornecedores e operações críticas. A coordenação entre a resposta a incidentes e o planejamento de continuidade ajuda as organizações a manter atividades essenciais e realizar uma recuperação controlada.
Como a IA está mudando os riscos de cibersegurança?
A IA pode tornar e-mails fraudulentos e tentativas de falsificação de identidade mais convincentes, enquanto o uso inadequado de ferramentas de IA pode expor informações confidenciais ou sensíveis. As organizações devem saber onde a IA é utilizada, quais informações ela processa, quais ferramentas são aprovadas e quem é responsável por sua supervisão e verificação.
Quais primeiros passos as organizações podem adotar para melhorar a resiliência cibernética?
As organizações podem tornar a cibersegurança relevante para cada função, identificar informações e operações críticas, analisar as dependências de fornecedores e de tecnologia, testar planos de resposta a incidentes e continuidade, incorporar a segurança às decisões de negócio e criar uma abordagem de gestão consistente.
O Mês da Conscientização sobre Cibersegurança é um ponto de partida
A resiliência cibernética é construída por meio das decisões tomadas todos os dias. Ela depende de como os colaboradores respondem a atividades suspeitas e de como os líderes priorizam os riscos. A gestão de fornecedores e a introdução de novas tecnologias também desempenham papéis importantes.
As organizações também precisam estar preparadas para interrupções. Isso exige que as pessoas compreendam suas responsabilidades e saibam como responder quando algo dá errado.
O Mês da Conscientização sobre Cibersegurança oferece uma oportunidade para reforçar essas conexões. Ele pode envolver diferentes áreas da organização na discussão e ajudar os colaboradores a entender como a cibersegurança se relaciona com seu trabalho.
O objetivo não é transformar todos os colaboradores em especialistas em cibersegurança ou IA. É criar uma organização na qual as pessoas compreendam suas responsabilidades e os líderes tenham as informações necessárias para tomar decisões bem fundamentadas.
A cibersegurança deve fazer parte das práticas normais de negócio, em vez de ser tratada como uma atividade técnica separada.
A conscientização inicia a conversa. Uma abordagem estruturada e focada no negócio ajuda a transformar essa conscientização em resiliência duradoura.
Sobre o autor
Cavan Leung é Head of ICT, Business Assurance, North America na DNV. Ele trabalha com organizações de diversos setores em temas relacionados a cibersegurança, governança, riscos, assurance, compliance, continuidade dos negócios e tecnologias emergentes.
19/10/2026 14:00:00