Segurança da Informação como Gestão de Riscos: Uma Perspectiva para Empresas no Brasil
À medida que empresas brasileiras ampliam sua atuação digital e se conectam a cadeias de valor cada vez mais integradas, a segurança da informação deixa de ser apenas uma preocupação técnica e passa a ser um tema de gestão de riscos.
Para muitas organizações, essa mudança começa com perguntas simples, porém estratégicas:
- Estamos realmente protegidos?
- Temos clareza sobre nossos principais riscos?
- Conseguimos demonstrar controle quando um cliente ou parceiro solicita evidências?
Nesse momento, a segurança da informação passa a ser vista como parte da governança do negócio.
Segurança como tema de governança
Hoje, conselhos administrativos e alta liderança reconhecem que informação e dados são ativos críticos. A exposição a riscos cibernéticos pode impactar operações, reputação, continuidade e relacionamento com clientes.
No Brasil, esse cenário ganha relevância adicional com o avanço da digitalização, a interconexão das cadeias de suprimento e o volume crescente de dados pessoais tratados pelas organizações.
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) reforçou a responsabilidade das empresas quanto à proteção de dados pessoais, exigindo não apenas medidas técnicas, mas também controles organizacionais demonstráveis. Incidentes de segurança podem gerar impactos regulatórios, além de consequências operacionais e reputacionais.
Nesse contexto, a segurança da informação passa a ser tratada como parte da estrutura de governança e gestão de riscos.
Maturidade ainda em evolução
Estudos globais indicam que muitas organizações vêm aprimorando sua abordagem à segurança da informação. No entanto, uma parcela significativa ainda reconhece que seus sistemas estão em processo de amadurecimento.
A diferença entre possuir controles isolados e ter um sistema estruturado está na forma como os riscos são identificados, priorizados, monitorados e revisados ao longo do tempo.
Maturidade não significa ausência de risco, mas capacidade de gerenciá-lo de forma consistente.
Pessoas, processos e responsabilidade
Organizações que avançam em maturidade costumam priorizar:
- Definição clara de responsabilidades
- Políticas formalmente aprovadas pela liderança
- Capacitação contínua das equipes
- Avaliações estruturadas de risco
A experiência demonstra que a combinação entre governança, processos documentados e preparo das pessoas é o que sustenta a segurança no longo prazo.
A capacitação não se limita à área de TI. Envolve colaboradores de diferentes funções que interagem diariamente com dados, fornecedores e sistemas críticos.
LGPD e demonstração de controle
Para empresas brasileiras, alinhar a segurança da informação aos princípios da LGPD é um passo natural dentro de uma abordagem estruturada.
A lei reforça a necessidade de:
- Identificação e avaliação de riscos
- Implementação de controles proporcionais
- Registro de decisões e processos
- Demonstração de conformidade perante autoridades e partes interessadas
Mais do que evitar penalidades, uma abordagem estruturada fortalece a confiança de clientes, parceiros e investidores.
ISO/IEC 27001 como estrutura de gestão
Uma das práticas mais reconhecidas internacionalmente para estruturar a segurança da informação é a implementação de um Sistema de Gestão de Segurança da Informação (SGSI) conforme a ISO/IEC 27001.
A norma fornece uma estrutura para:
- Identificar e avaliar riscos
- Implementar controles adequados
- Definir responsabilidades
- Envolver a liderança
- Promover melhoria contínua
Para organizações brasileiras, a ISO/IEC 27001 também facilita a integração com outros sistemas de gestão já existentes, como qualidade, meio ambiente ou saúde e segurança ocupacional, devido à Estrutura de Alto Nível (HLS) da ISO.
Avaliações e desenvolvimento de maturidade
Antes mesmo da certificação, muitas organizações iniciam sua jornada por meio de avaliações de maturidade e análises de lacunas.
Essas avaliações permitem:
- Identificar pontos mais sensíveis
- Priorizar ações de forma racional
- Reduzir decisões reativas
- Estabelecer um plano estruturado de evolução
Essa abordagem prática ajuda a substituir percepções por dados e a reduzir incertezas.
Certificação como evidência de governança
A certificação independente conforme a ISO/IEC 27001 não representa apenas conformidade formal.
Ela demonstra ao mercado que a organização possui processos consistentes e contínuos para gerenciar riscos relacionados à informação, dados e segurança cibernética.
Em um ambiente de negócios cada vez mais orientado à confiança, essa evidência pode fortalecer relações comerciais, apoiar negociações e consolidar reputação.
De tema técnico a risco estratégico
À medida que expectativas de clientes, reguladores e parceiros evoluem, tratar a segurança da informação sob a ótica da gestão de riscos torna-se um diferencial competitivo.
Não se trata de buscar perfeição, mas de evitar surpresas, manter controle e sustentar a continuidade do negócio.
Organizações que estruturam sua abordagem tendem a responder com mais clareza, consistência e confiança diante de novos desafios.
Referência:
DNV ViewPoint Survey – How are companies tackling enterprise risk? Information security.
09/02/2026 22:20:00