SQF – Edição 10: Principais mudanças que a indústria de alimentos precisa conhecer

A Edição 10 do SQF traz a atualização mais significativa do Código SQF de Segurança de Alimentos dos últimos anos. Embora as organizações certificadas na Edição 9 não precisem reformular completamente seus sistemas de gestão da segurança de alimentos, será necessário reforçar algumas áreas importantes para atender aos novos requisitos.

As mudanças dão maior ênfase à responsabilidade da liderança, à cultura de segurança de alimentos, à gestão de mudanças, ao monitoramento ambiental e à eficácia das ações corretivas. Compreender essas atualizações desde já pode ajudar as organizações a se prepararem para uma transição mais tranquila e a reduzirem o risco de não conformidades durante as auditorias.

O que mudou na Edição 10 do SQF?

Embora muitos dos requisitos da Edição 9 permaneçam, a Edição 10 muda o foco: mais do que simplesmente manter um sistema em conformidade com os requisitos, as organizações deverão demonstrar que esse sistema é efetivamente gerenciado, monitorado por meio de indicadores e continuamente aprimorado.

Entre todas as atualizações, cinco áreas tendem a gerar os maiores impactos nas unidades certificadas:

  • Maior responsabilidade da alta direção

  • Programas formais de cultura de segurança de alimentos

  • Novos requisitos para a gestão de mudanças

  • Requisitos mais rigorosos para ações corretivas e preventivas (CAPA) e análise de causa raiz

  • Programas de monitoramento ambiental mais robustos

Vamos analisar cada uma dessas áreas em detalhes.

1) A responsabilidade da alta direção ganha ainda mais destaque

Uma das mudanças mais significativas da Edição 10 é o maior envolvimento da alta direção no sistema de gestão da segurança de alimentos. A segurança de alimentos deixa de ser vista como uma responsabilidade concentrada principalmente no SQF Practitioner (responsável pela implementação e manutenção do sistema SQF). A alta direção deverá demonstrar participação ativa na definição de objetivos, na disponibilização de recursos, no monitoramento de desempenho e na realização de análises críticas pela direção.

Durante as auditorias, as organizações deverão estar preparadas para demonstrar como a liderança apoia ativamente e avalia o desempenho em segurança de alimentos, em vez de apenas aprovar políticas ou participar de reuniões anuais de análise crítica.

Visão dos especialistas: o verdadeiro desafio por trás da Edição 10 do SQF

“O maior desafio da Edição 10 do SQF não será compreender os requisitos, mas demonstrar que a segurança de alimentos está incorporada a todos os níveis da organização.

As organizações que continuarem dependendo principalmente do SQF Practitioner ou da equipe da Qualidade para garantir a conformidade provavelmente enfrentarão maiores dificuldades. Por outro lado, aquelas que adotarem a segurança de alimentos como uma responsabilidade compartilhada por toda a organização estarão mais bem preparadas para alcançar o sucesso.”

Ao longo dos anos, tenho observado uma mudança significativa na forma como as organizações de referência encaram a segurança de alimentos. Essa responsabilidade já não se limita aos departamentos da Qualidade ou de Segurança de Alimentos. Cada vez mais, ela se estende às áreas de Produção, Manutenção, Cadeia de Suprimentos, Recursos Humanos e à alta direção.

A Edição 10 do SQF colocará essa evolução à prova, exigindo que as organizações demonstrem que a segurança de alimentos não é apenas gerenciada por um departamento, mas também é assumida, praticada e apoiada ativamente em todas as áreas do negócio.

– Kathleen Wybourn, Diretora de Alimentos e Bebidas para os Estados Unidos e o Canadá

O que os auditores poderão solicitar durante a auditoria

  • Objetivos de segurança de alimentos e indicadores de desempenho.
  • Registros e evidências da realização das análises críticas pela direção.
  • Evidências das decisões relacionadas à disponibilização de recursos.
  • Participação da liderança em iniciativas de segurança de alimentos.
  • Ações implementadas com base nos resultados das avaliações de desempenho.

2) A cultura de segurança de alimentos passa a ser um requisito mensurável

A cultura de segurança de alimentos é discutida há anos, mas a Edição 10 dá um passo importante ao exigir que as organizações estabeleçam um Plano Documentado de Avaliação da Cultura de Segurança de Alimentos (Food Safety Culture Assessment Plan). Os novos requisitos fazem com que a cultura de segurança de alimentos deixe de ser apenas uma expectativa geral e passe a ser um componente mensurável do sistema de gestão.

O plano deverá contemplar aspectos como comunicação, treinamentos, engajamento dos colaboradores, atividades de avaliação e iniciativas de melhoria contínua. Durante as auditorias, os auditores poderão solicitar evidências objetivas de que a organização avalia, monitora e promove melhorias na cultura de segurança de alimentos ao longo do tempo.

Um desafio comum

Muitas organizações possuem uma cultura de segurança de alimentos bem estabelecida, mas não dispõem da documentação necessária para comprovar isso. Na Edição 10, documentar essas práticas passa a ser tão importante quanto colocá-las em prática.

3) A gestão de mudanças passa a ser um requisito formal

A Edição 10 introduz um requisito específico para a Gestão de Mudanças, que exige que as organizações avaliem os riscos à segurança de alimentos antes de implementar alterações que possam afetar os produtos ou os processos.

Esse requisito se aplica a:

  • Alterações nas formulações dos produtos.
  • Modificações em equipamentos.
  • Atualizações de embalagens.
  • Alterações na rotulagem.
  • Mudanças nos processos produtivos.
  • Revisões do plano de segurança de alimentos.
  • Mudanças temporárias nas operações.

Anteriormente, muitas unidades realizavam essas atividades de maneira informal, sem um processo estruturado de avaliação e registro. Com a Edição 10, passa a ser necessário comprovar que os impactos das mudanças sobre a segurança de alimentos foram avaliados e documentados antes de sua implementação.

 

4) Aumentam as exigências para a análise de causa raiz e as ações corretivas e preventivas (CAPA)

Os programas de Ações Corretivas e Preventivas (CAPA) ganham maior destaque na Edição 10. Os requisitos revisados enfatizam a identificação das verdadeiras causas raiz, a verificação da eficácia das ações implementadas e a prevenção da recorrência dos problemas.

As organizações devem esperar um maior rigor na avaliação de como investigam problemas recorrentes, documentam as ações corretivas e demonstram sua eficácia a longo prazo.

As situações que podem desencadear ações CAPA incluem falhas no monitoramento ambiental, reclamações de clientes, recolhimentos de produtos (recalls), constatações de auditoria, ações regulatórias e desvios relacionados ao plano de segurança de alimentos.

O que os auditores irão avaliar

  • Metodologia de investigação.
  • Documentação da análise de causa raiz.
  • Implementação das ações corretivas.
  • Verificação da eficácia das ações implementadas.
  • Análise de tendências e da recorrência de problemas.

5) O monitoramento ambiental ganha maior destaque

O monitoramento ambiental passa a ter maior destaque, sendo elevado à categoria de requisito fundamental (Core Clause) na Edição 10. Espera-se que as organizações desenvolvam programas de monitoramento baseados em riscos, que definam claramente os pontos de coleta de amostras, as frequências de monitoramento, os critérios de aceitação e os procedimentos de resposta.

Além de coletar dados, as organizações deverão demonstrar que realizam análises consistentes dos resultados e adotam as medidas adequadas diante de tendências desfavoráveis. Os auditores provavelmente dedicarão mais tempo à avaliação dos programas de monitoramento ambiental, especialmente em ambientes de fabricação de produtos de maior risco.

Outras atualizações da Edição 10 que merecem atenção

Várias outras atualizações podem exigir ajustes nos procedimentos e na documentação existentes, incluindo:

 
  • Expanded verification and validation expectations
  • Food safety plan updates aligned with current Codex guidance
  • Stronger supplier management requirements
  • Expanded contractual agreement requirements
  • Enhanced recall and crisis management expectations
  • More structured documentation and recordkeeping requirements
  • Competency-based training requirements
  • Updated Good Industry Practice and Module 11 provisions
  • Ampliação dos requisitos de verificação e validação.
  • Atualização dos planos de segurança de alimentos em alinhamento às diretrizes atuais do Codex Alimentarius.
  • Requisitos mais rigorosos para a gestão de fornecedores.
  • Ampliação dos requisitos relacionados aos acordos contratuais.
  • Requisitos reforçados para gestão de recolhimento de produtos (recall) e de crises.
  • Requisitos mais estruturados para documentação e manutenção de registros.
  • Requisitos de treinamento baseados em competências.
  • Atualização das disposições sobre Boas Práticas do Setor (Good Industry Practice) e do Módulo

Como se preparar para uma auditoria SQF da Edição 10

Organizações com sistemas da Edição 9 bem consolidados provavelmente considerarão a transição tranquila. A abordagem mais eficaz é começar realizando uma avaliação de lacunas (gap assessment), com foco nas áreas que estão recebendo maior atenção na Edição 10.

 

As áreas prioritárias incluem:

 
  1. Planos de avaliação da Cultura de Segurança de Alimentos;
  2. Procedimentos de Gestão de Mudanças;
  3. Programas de avaliação da eficácia das ações corretivas e preventivas (CAPA);
  4. Programas de monitoramento ambiental;
  5. Processos de análise crítica pela direção;
  6. Treinamento e verificação de competências.

Organizações que atualmente dependem de processos informais nessas áreas poderão precisar de preparação adicional e documentação complementar antes da próxima auditoria.

 

Recursos adicionais sobre a Edição 10 do SQF.

As organizações que desejam aprofundar seus conhecimentos sobre os requisitos da Edição 10 do SQF podem se beneficiar de treinamentos adicionais e materiais educativos oferecidos pela DNV.

Treinamento em Análise de Causa Raiz e Resolução de Problemas

Desenvolva habilidades práticas para identificar as causas-raiz, implementar ações corretivas eficazes e prevenir a recorrência de problemas por meio de uma metodologia estruturada de resolução de problemas.

 

Perguntas frequentes sobre a Edição 10 do SQF

As organizações precisam reformular completamente seus sistemas de segurança de alimentos?

Não. A maioria dos requisitos da Edição 9 permanece em vigor. As organizações precisarão, principalmente, fortalecer a governança, a documentação, as atividades de verificação e o envolvimento da direção.

Qual é a mudança mais significativa da Edição 10?

Muitas organizações estão constatando que a responsabilização da direção, os requisitos relacionados à Cultura de Segurança de Alimentos e os processos de gestão de mudanças representam as maiores alterações em relação às edições anteriores.

Os auditores darão mais atenção à documentação?

Em muitos casos, sim. A Edição 10 dá maior ênfase à demonstração da conformidade por meio de evidências documentadas, registros, atividades de verificação e resultados mensuráveis.

Quais organizações poderão enfrentar os maiores desafios?

Unidades que dependem fortemente de práticas informais para programas de cultura, controle de mudanças, análise de causa raiz ou monitoramento ambiental poderão precisar de preparação adicional para atender às expectativas da Edição 10.

A Edição 10 do SQF não representa uma reformulação completa do Código de Segurança de Alimentos do SQF. Em vez disso, representa uma evolução em direção a um maior envolvimento da direção, maior responsabilização, sistemas de monitoramento mais robustos e melhoria contínua mensurável.

As organizações que iniciarem sua preparação com antecedência e concentrarem seus esforços nas áreas mais afetadas pelos novos requisitos estarão mais bem preparadas para uma transição bem-sucedida e para obter bons resultados na auditoria.

Sobre a autora:

Com mais de 30 anos de experiência no setor de Alimentos e Bebidas, Kathleen Wybourn compartilha conhecimentos práticos adquiridos ao longo de sua trajetória nas áreas de segurança de alimentos, qualidade, gestão de fornecedores e operações no setor de adoçantes.

Ela liderou iniciativas em nível associativo como diretora da GMA-SAFE e por meio de sua atuação nos Grupos de Trabalho Técnicos da GFSI. Como diretora de Alimentos e Bebidas para os Estados Unidos e o Canadá na DNV, Kathleen continua promovendo sistemas alimentares mais seguros e resilientes.

03/09/2026 16:54:00