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Estabelecimento de um Sistema de Gestão de Segurança para Ferrovias – Manuseio dinâmico de barreiras em ambientes ferroviários complexos

Como as organizações ferroviárias podem atender aos requisitos atuais do ERA, mantendo um Sistema de Gestão de Segurança ágil capaz de se adaptar às regulamentações futuras?

As operações ferroviárias enfrentam inúmeros desafios que afetam significativamente a segurança dos passageiros, dos funcionários e do meio ambiente. Estes desafios abrangem vários factores, como o envelhecimento da infra-estrutura, erros humanos, travessias ferroviárias, falhas de sinal, preocupações de segurança e condições climáticas adversas. Os operadores ferroviários devem considerar estes fatores para garantir operações seguras.

Para ajudar os operadores ferroviários a aderirem aos procedimentos de segurança e melhores práticas estabelecidos, a Agência Ferroviária da União Europeia (ERA) forneceu orientações sobre a gestão dos riscos através do REGULAMENTO (UE) n.º 402/2013, conhecido como Método Comum de Segurança (MCS). O MCS define princípios, metodologias e procedimentos essenciais de gestão da segurança que devem ser seguidos pelos gestores da infraestrutura ferroviária, pelas empresas ferroviárias e por outras partes interessadas no setor ferroviário.

Um requisito fundamental dos regulamentos do MCS é o estabelecimento de um Sistema de Gestão de Segurança (SGS). O SGS funciona como um frameworkestrutural, priorizando a segurança e garantindo a implementação das medidas de segurança necessárias no projeto, operação e manutenção dos sistemas ferroviários.

Como as organizações ferroviárias podem atender aos requisitos atuais do ERA, mantendo um Sistema de Gestão de Segurança ágil capaz de se adaptar às regulamentações futuras?

Para enfrentar esse desafio e estabelecer uma estrutura que não apenas atenda aos requisitos de segurança do ERA, mas também estabeleça as bases para um sistema proativo de gerenciamento de riscos, recomenda-se uma abordagem multifásica. Essa abordagem permite que as organizações implementem gradualmente iniciativas de segurança e que ajudem  garantir o suporte de todos os steakholders do processo:

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  1. Estabeleça metas e escopo para o processo: comece identificando os principais desafios em um workshop inicial para entender as necessidades imediatas e os objetivos de longo prazo. As questões a considerar incluem a digitalização do hazard log para uma utilização mais dinâmica na gestão de riscos e facilitar acesso aos relatórios de riscos para as partes interessadas internas e as autoridades externas. Defina fluxos de trabalho adaptados às necessidades da sua organização. A identificação de metas da primeira fase ajudará a estabelecer os requisitos do projeto e potenciais funcionalidades futuras. 
  2. Realizar uma avaliação de prontidão de segurança: participe de sessões de consultoria com especialistas em segurança ferroviária para avaliar o estado atual das operações de segurança e identificar riscos imediatos que exijam atenção. Essa etapa também ajuda a estabelecer processos de práticas recomendadas para manter as operações seguras. Possíveis áreas de melhoria podem ser detectadas na definição de papéis e responsabilidades, gestão de competências, automação do tratamento de barreiras e avaliação de mudanças tanto em ativos técnicos quanto em nível organizacional. Essa avaliação pode ajudar a identificar eventuais lacunas com a conformidade regulatória.   
  3. Implementar uma Solução de Gestão de Segurança: Introduzir uma ferramenta de QSMS (Qualidade, Saúde, Segurança e Meio Ambiente) que não apenas centralize os dados de risco, mas também apoie a implementação dos processos propostos em toda a organização. Idealmente, essa ferramenta deve facilitar o gerenciamento de riscos e incidentes e permitir o gerenciamento dinâmico de barreiras. Considere uma implantação gradual da solução, começando com as funcionalidades mais impactantes e incorporando gradualmente módulos como Gerenciamento de Qualidade, Segurança Cibernética ou Gerenciamento de Inspeção, conforme necessário. A inclusão de um aplicativo móvel para relatórios de casos remotos pode aumentar o engajamento e a frequência de relatórios. Nesta fase, é importante determinar o objetivo final alinhado com o nível de maturidade de QSMS da organização. Também é necessário determinar a linha de base para a integração da ferramenta de QSMS para maximizar o valor para todas as partes interessadas em segurança ferroviária.  
  4. Acompanhamento e Avaliação: Após implementar com sucesso a Solução de Gestão de Segurança, avalie sua eficácia e adoção. Avalie se todas as práticas recomendadas foram incorporadas e explore oportunidades de ajustes ou automação para aumentar a eficiência. Após essa avaliação, a cobertura do mapa de riscos completo pode ser determinada, e quaisquer riscos remanescentes podem ser vinculados entre departamentos e funções dentro da organização de partes interessadas. Quaisquer mudanças necessárias no sistema de gestão podem ser refletidas na ferramenta de QSMS, como o Synergi Life, para suportar futuras implementações e atuar como um sistema de suporte para o gerenciamento de mudanças. Um sistema de QSMS também pode fornecer mais controle da implementação de futuras inovações e evoluções técnicas ou tecnológicas dentro de seu ambiente de ativos ferroviários.   

Ao seguir essa abordagem multifásica, as organizações ferroviárias podem não apenas atender aos requisitos de segurança atuais, mas também construir um Sistema de Gestão de Segurança flexível, capaz de se adaptar a futuras mudanças regulatórias, mantendo um forte foco na segurança e no gerenciamento de riscos.


Autor: Jorge Aldegunde, Gerente Técnico Global Ferroviário, DNV