Fórum Pacto Global

ODS 8 e 13 são os mais atrativos para as empresas brasileiras

Possíveis em todas as fases do processo, os erros devem ser evitados com investimentos além das tecnologias.


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No segundo painel do Fórum Pacto Global – realizado no dia 9 de novembro, no auditório do MASP, em São Paulo –, foram apresentados os resultados de um estudo que mostra o engajamento atual de empresas no Brasil com os ODS. Em parceria com a DNV-GL e Report, foi realizada consulta com 20 empresas que compõem o Comitê Brasileiro do Pacto Global (CBPG), que faz a gestão da Rede Brasil do Pacto Global. Uma das conclusões é que os ODS 8 e 13 – que abordam as temáticas “trabalho decente e crescimento econômico” e “ação contra a mudança global do clima”, respectivamente – são os mais presentes em projetos das empresas do CBPG.

De acordo com Denise Hills, Coordenadora do GT ODS da Rede Brasil do Pacto Global e Superintendente de Sustentabilidade e Negócios Inclusivos do Itaú Unibanco  (foto abaixo), o desafio já foi abraçado por 41% dos entrevistados e estão em planejamento com outros 35%. Para melhorar esse quadro, a executiva reforça a necessidade de envolver cada vez mais as lideranças. “Se cada um de nós disser que os ODS são relevantes ao estabelecer parcerias, é bem provável que a gente consiga influenciar um novo padrão de negócios”, afirmou.

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Luca Crisciotti, CEO de Business Assurance da DNV-GL(foto abaixo), comentou sobre os esforços das vinte empresas parceiras. O estudo mostrou que ainda há muito trabalho a ser realizado, mas já apresenta aspectos positivos. Um deles, na visão do executivo, é que entre as motivações das companhias para aderir aos ODS esteja a identificação de futuras oportunidades de mercado. “Isso confirmou outras pesquisas que fizemos e fiquei feliz de ver que o mundo dos negócios também encara a sustentabilidade como um investimento”, comemorou.

Lideranças engajadas

No painel seguinte, o Presidente da Rede Brasil do Pacto Global e diretor jurídico de Impostos e Seguros da BASF na América do Sul, André Oliveira, reuniu presidentes de três grandes grupos signatários (foto abaixo) para falar do compromisso das lideranças com o Pacto Global. À frente da Ambev, Bernardo Paiva falou sobre a importância de se construir o legado de uma empresa. “É impossível ter uma empresa por mais de cem anos se a gente não se engajar com os ODS”, pontuou, afirmando que uma empresa que não pensa seu impacto na sociedade a longo prazo já não sobrevive. “Se a gente não evolui pelo caminho que estamos discutindo aqui, lá na frente ninguém vai querer trabalhar na nossa empresa e o consumidor não vai querer nossos produtos”.



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Teresa Vernaglia, da AES Ergos, também enfatizou o preço a se pagar por ignorar os desafios da Agenda 2030. “O cliente de hoje tem mais poder do que os de cinco anos atrás e menos do que aquele nos próximos cinco anos”, disse. Ela destacou as diversas ações da companhia para promover a energia renovável, investir em cidades sustentáveis e oferecer serviço de qualidade a comunidades mais carentes e de diminuir as desigualdades. “Isso não é uma questão de ser politicamente correto e sim ter noção de que se não tomarmos essas medidas, não estaremos aqui daqui a cinco anos”.

Já Paulo Stark, da Siemens Brasil, começou dizendo que o dirigente que vê a preocupação com sustentabilidade apenas como um plano de marketing comete um grande erro. “Cedo ou tarde, você será desmascarado”, afirmou, defendendo ações genuínas. “Produzimos um mapa do impacto para saber em cada área, do desenvolvimento econômico ao espaço de trabalho, a empresa tem influência e desenvolvemos programas específicos”.


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SDG Pioneers

O último painel da manhã homenageou os brasileiros premiados em junho no concurso SDG Pioneers, do UN Global Compact: Sonia Favaretto, Diretora de Imprensa e Sustentabilidade da BM&FBOVESPA, e Ulisses Sabará, Presidente da Beraca (foto abaixo), com mediação de Glaucia Terreo, Representante da Global Reporting Institute (GRI) no Brasil. O país foi o único com dois nomes entre os dez vencedores – e o único país laureado da América Latina, mostrando como o empresariado brasileiro tem se envolvido com o Pacto Global. Para que isso cresça ainda mais, todos concordam que a palavra de ordem é parceria. “Para sermos bem-sucedidos, precisamos transformar essas metas globais em ações de negócios”, afirmou Ursula Wynhoven, Chefe de Sustentabilidade Social, Governança e Integridade do UN Global Compact. “Juntos, vamos provar que as empresas que investem com responsabilidade e aproveitam a chance de inovar com os ODS estarão entre as marcas líderes do futuro”, acrescentou.

Forum_global6Com uma apresentação rápida e precisa, Marcela Zonis, Diretora de Relações Institucionais da organização sem fins lucrativos Endeavor Brasil, levantou a bandeira de que o em preendedorismo responsável pode ser o motor da economia. Para isso, a organização cria uma ponte entre grandes e pequenas empresas para firmar parcerias inovadoras, promovendo o crescimento econômico e erradicando a miséria. “Há estudos de que o aumento de 1% na renda de um país já acarreta a diminuição de 3% da pobreza”, contou.